segunda-feira, 23 de agosto de 2010

conchas

Quem foi que disse que seria fácil? Acho que a geração passada não sofria tanto com problemas de relacionamentos, eles eram mais estáveis, mais concretos. prefiro essa palavra pra explicar esses amores modernos de internet. Eles são reais, mas não são concretos. A gente sente, a gente sofre. A gente se aborrece. Sorrimos e choramos, por alguem que nem conhecemos...fisicamente. Essa coisa de aparência é traiçoeira. já troquei amor por conchas vazias, e ostentei-as com um sorriso falso, querendo que as pessoas acreditassem no que viam. Já fui trocado por medo.  por um pouco de hipocrisia em nome da aparência. Nos sabotamos o tempo todo, talvez tenhamos medo de sermos felizes, só pode. Afinal, tememos o desconhecido. e não sei como seria, ja to acostumado a lidar com a decepção. Já virou meu ponto de conforto.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Para Álef, meu pequeno príncipe.





O pequeno Príncipe - Antoine de Saint Exupéry




E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...Olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com algum amigo que o fez tão importante. Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.