sábado, 31 de julho de 2010

Brincando com a vida

Alguém o enganou, dizendo que ele precisava estar se divertindo 24 horas por dia. Se sentiu um fracassado ao perceber que sua vida era apenas normal”. 

Comparo a humanidade a uma criança brincando. Ela tem em mãos blocos com diversas formas, e em sua frente uma mesa com buracos no formato de cada bloco. A criança insiste em encaixar o quadrado no buraco do circulo e então ela se irrita por não conseguir. É exatamente assim que as pessoas agem. Tentam impor a realidade modelos idealizados. E continuam tentando adequá-los assim mesmo. Por isso vivem se decepcionando. Temos dificuldades em nos aceitar como somos. Preferimos acreditar em nosso gigante interior, enquanto dentro da maioria adormece apenas um “anãozinho”. Temos dificuldades em admitir que somos falhos, com defeitos. Disfarçamos solidão pegando o maior número de pessoas numa balada. Buscamos novos pares que tragam a sensação da euforia. Agimos como o viciado atrás de doses maiores da droga. A alienação transforma-se em intimidade, a desumanização, em humanidade e a extinção do sujeito, em sua confirmação. A socialização dos seres humanos, hoje em dia, perpetua sua associalidade, ao mesmo tempo que não permite ao desajustado social nem sequer  orgulha-se de ser humano.

Incomodo

E lá estava eu sentado no meio de semi-conhecidos. O lugar não era ruim, chegar lá que era, mas eu já havia passado pela pior parte, e lá estava eu. Sentado olhando pra água, pra grama, para as nuvens no céu azul. A paisagem era perfeita, mas faltava algo. Olho pro meu lado e vejo um casal, dois dos semi-conhecidos que me faziam companhia aquela tarde. Eles olhavam um para o outro, e a paisagem parecia para eles apenas um complemento. O que para mim era maravilhoso passava despercebido por eles, era só um detalhe pequeno diante do que eles pareciam desfrutar. Fiquei com inveja, queria passar por aquilo também. Fiquei a observá-los. Eram dois garotos. Um deles me olhou por um instante, encarei-o nos olhos. E logo ele voltou a observar seu namorado.  Olhei ao meu redor desejando que meu amigo chegasse logo, o outro garoto que estava conosco era indiferente, não que me incomodasse, mas senti necessidade de alguém conhecido. Desejava intimidade.