E lá estava eu, subindo uma ladeira enorme. Uma rua fina e comprida. Cheia de outras ruas transversais igualmente finas, cumpridas e íngremes. O céu estava um pouco nublado. Eu carregava uma sacola com latinhas de cervejas. Era mais um sábado. Quatro pessoas me acompanhavam. Dois garotos e duas garotas. A pessoa que eu tinha mais intimidade ali era um dos garotos, que acabara de conhecer a menos de meia hora. Estávamos em outro município. Andávamos, e eu observava a situação, e os diálogos. tentei parecer simpático, não consegui. Não sou tão sociável assim. A pergunta que vinha na minha cabeça a todo instante era: “O que estou fazendo aqui”? Chegamos à casa do outro garoto, era lá que iria acontecer uma festinha para amigos. A casa era velha, com um aspecto sombrio. Um quintal coberto com telha de amianto, que lembrava uma garagem, mas não havia nenhum carro. Apenas muitos pelos de cachorro no chão. A porta era de uma madeira escura, que me causou estranhamento e medo. A mãe do anfitrião estava cortando os pelos de um dos cachorros. Se eu não sabia o nome do dono da casa (chamavam-no apenas de Marvel) o do cachorro eu soube com sobrenome e tudo: Lucky Perdido, uma alusão aos garotos perdidos de Peter Pan.Havia um outro cão também, mas desse não me recordo o nome e o sobrenome, mas era algo digno de um galã de novela mexicana. A mãe excêntrica e simpática nos deixou a vontade e foi para a casa dos fundos, dizendo coisas incompreensíveis, deixando entender que algum espírito baixaria nela. A “festa” logo começou, regada de cigarro, muito cigarro, e algumas cervejas. Logo colocaram um Funk pra tocar. Me diverti vendo Marvel dançando e se jogando em cima de mim. Tentei socializar com uma das garotas, era interessante, tinha um papo legal, mas logo sua namorada a levou para o banheiro para ficarem mais a vontade. Começava a relampear, eu precisava ir embora, mas algo me mantinha ali, queria muito sair correndo do lugar, mas uma parte de mim dizia pra eu ficar pra ver o que iria mais acontecer. O anfitrião logo foi a rua buscar alguns outros amigos que estavam pra chegar, fiquei sentado no sofá, deslocado, sozinho. O sofá era bem antigo, as coisas ali pareciam ter parado no tempo. Na sala eu dividia o espaço apenas com ele, um móvel que deveria ter alguma TV em cima, mas não tinha e um espelho velho na parede, que me dava mais medo ainda. Pedi pra meu “amigo” me levar até o ponto de ônibus onde eu pudesse voltar pra cidade de Niterói, onde finalmente pegaria um ônibus de volta para a casa. Chegando a Niterói fui pegar ônibus em frente a um shopping. Mesmo lugar que a meses atrás tive uma experiência que me marcou muito. Fiquei um bom tempo esperando, olhando o carrinho de pipoca que me trazia velhas lembranças. Eu, o carrinho... Só. Faltava uma pessoa. Ele não estava lá. O ônibus enfim chegou, paguei a cara passagem, sentei no ultimo banco alto, e ali me encolhi devido o frio do ar condicionado. E segui viagem para casa pensando em milhões de coisas e olhando com medo a imensa baia de Guanabara bem abaixo de mim.

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