domingo, 5 de junho de 2011

Carta a um príncipe (excesso de hormônios femininos)

Eu estava num deserto quando te conheci, mas não havia areias e o sol já não me machucava mais. Só você parecia entender e admirar meu interesse por desenhos e assuntos infantis. Você chegou aos poucos, e conseguiu me cativar. Ainda não te conheci pessoalmente, mas o essencial é invisível aos olhos não é?  É triste quando achamos que somos especiais para alguém, mas no fundo não passamos de apenas uma rosa como centenas de outras. Talvez eu deva dar ouvido aos adultos.  Se sinto ciúmes é porque gosto de ti não é? 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ícaro e Narciso

É quase impossivel acostumar com o comum depois de ter ido ao céu, é preciso ter um espirito de conformismo en
   É quase impossível acostumar com o comum depois de ter ido ao céu, é preciso ter um espírito de conformismo enorme.  Como vou me acostumar novamente com os manjares dos mortais, se provei do néctar dos deuses? É uma brincadeira de mal gosto o que fizeram comigo. Zombam porque sou mortal, se querem me ensinar algo, o fizeram do jeito mais doloroso. O gosto amargo da decepção ainda está na minha boca. O gosto doce do beijo da noite passada está apenas na minha memória, é como se eu pudesse sentir ainda. Não tão intenso, mas igualmente mágico. O toque na pele, o arrepio seguido dos sorrisos, tudo está lá, intacto como numa exposição no museu da minha memória, fecho meus olhos e percorro os corredores. Nunca imaginei tanta vida vida em tão pouco tempo. O tempo está sujeito a intensidade, se comprime quanto maior a intensidade É como se comprimisse dias em algumas horas.  Como explicar isso? mágica. Os lábios na pele, a adrenalina, a sensação de elevação do corpo. Mas tudo tem um fim, mas todo fim é um novo começo. O que importa no fim das contas é se valeu a pena. E minha sensação de elevação ao lembrar de cada beijo de ontem e a sensação de que a vida jamais será a mesma depois disso é a prova cabal de que valeu a pena. 

Epílogo



Hoje a noite é o começo não só de mais um dia.
É o começo de uma nova era.
Selo aqui um pacto comigo mesmo.
Prometo me respeitar
Prometo me amar
Prometo não mais me entregar.
Eu sou melhor que tudo isso.
Levante a cabeça pequeno garoto e enxugue essas lágrimas.
Você já é completo.
Hoje é o tempo de por em prática a justiça.
Usar a força se precisar, evitando ao máximo machucar alguém.
Mas de maneira nenhuma deixar me machucar.
Agora é a hora de por tudo na balança. De ser sensato.
Agradecer pelo que tem ser agradecido.
Hey!  você, obrigado por tudo. Você me mudou.
Guardo um carinho por tudo isso. Mas sou melhor que você.
“Que me aqueça nesse inverno e que tudo mais vá pro inferno”
Já dizia aquela velha canção.
Que meu coração seja como uma bomba relógio
Pronto para explodir na sua mão.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

prólogo


Qual o sabor da glória conquistada derramando sangue de um amigo?
A lealdade deve ser um preço muito alto a se pagar. E acho que o tempo já não constrói mais nada.
Havia tantas estrelas no céu. Porque você escolheu essa?
Sabendo que é a que mais me machuca.

sábado, 23 de abril de 2011

23/04/2011 - Caetano



Que dias agitados, sou apenas um para dar conta de tudo
O mundo gira, minha cabeça gira.
Ninguém entende o “meu importante”
Que noite agitada. A música tocando, a confraternização com meus amigos e um só desejo.
Mas ninguém ali parecia me encantar.
Sei que nunca mais vou me contentar com o “segundo melhor”.
A meses estou preso a alguém.  A meses uso a mesma pessoa como referencial.
Por um instante naquela noite vi alguém capaz de me tirar de onde estou acorrentado.
Não havia tanta beleza, mas me encantou profundamente desde o primeiro momento que o vi.
Cabelos castanhos desgrenhado, branco, magro, um alargador, aparelho nos dentes e um horrível piercing no nariz. Como acho feio essas coisas, porém, como ficou lindo nele.
Me senti dando um passo para fora do meu cativeiro, mas o degrau estava fraco e corroído, e logo cedeu e me fez recuar. Junto com ele rachou também o meu coração. Fiquei parado apertando sua mão e olhando nos seus olhos. Ele se despediu. Não quis deixar rastros, mas sou bom com essas coisas. A festa então perdeu toda a graça. Voltei para o nível do comum.
Tentei beijar outros. Porém eu não correspondia e saia no meio de beijo e deixava-os sem entender nada. Não fazia mais sentido. Como disse, o segundo melhor não me agradava mais.
Desci as escadas ao som agitado de um rock, deixei a festa. Caminhei sozinho até meu ponto.
Rua deserta, fim de madrugada e meus pés doíam. Eu caminhava como um zumbi, mas me sentia vivo. Muito vivo. Me sentia também injustiçado. Tive inveja. Fiquei feliz em saber que não era impossível exorcizar fantasmas que me assombram à meses. Talvez não tenha sido agora, mas fiquei com a sensação de que em breve isso acontecerá. Peguei o ônibus, quase apaguei ao sentar no banco. Na minha cabeça eu só tinha a imagem do garoto que tinha conhecido. E seu nome ecoava na minha cabeça sem parar: Caetano, Caetano...

You are the only excpetion...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

E nada mais importa


Uma noite foi o bastante
Para eu desistir de tudo
Dos chocolates e da adrenalina
Uma noite foi o bastante, para perceber que o fundo do poço, é mais fundo do que imaginei
Uma noite é suficiente pra idealizações se desfazerem
Pra perceber que não somos tão especiais assim pra alguém
Volto então ao passado, e me lembro de uma única noite também
Em que eu fui especial pra alguém
Em que tudo foi perfeito.
Uma noite, em que o mundo teve inveja de mim
Teve inveja de nós

Medo de nunca mais sentir essa sensação de realização.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fora da rotina



  E lá estava eu, subindo uma ladeira enorme. Uma rua fina e comprida. Cheia de outras ruas transversais igualmente finas, cumpridas e íngremes. O céu estava um pouco nublado. Eu carregava uma sacola com latinhas de cervejas. Era mais um sábado. Quatro pessoas me acompanhavam. Dois garotos e duas garotas. A pessoa que eu tinha mais intimidade ali era um dos garotos, que acabara de conhecer a menos de meia hora. Estávamos em outro município. Andávamos, e eu observava a situação, e os diálogos. tentei parecer simpático, não consegui. Não sou tão sociável assim. A pergunta que vinha na minha cabeça a todo instante era: “O que estou fazendo aqui”? Chegamos à casa do outro garoto, era lá que iria acontecer uma festinha para amigos. A casa era velha, com um aspecto sombrio. Um quintal coberto com telha de amianto, que lembrava uma garagem, mas não havia nenhum carro. Apenas muitos pelos de cachorro no chão. A porta era de uma madeira escura, que me causou estranhamento e medo.  A mãe do anfitrião estava cortando os pelos de um dos cachorros. Se eu não sabia o nome do dono da casa (chamavam-no apenas de Marvel) o do cachorro eu soube com sobrenome e tudo: Lucky Perdido, uma alusão aos garotos perdidos de Peter Pan.Havia um outro cão também, mas desse não me recordo o nome e o sobrenome, mas era algo digno de um galã de novela mexicana.  A mãe excêntrica e simpática nos deixou a vontade e foi para a casa dos fundos, dizendo coisas incompreensíveis, deixando entender que algum espírito baixaria nela.   A “festa” logo começou, regada de cigarro, muito cigarro, e algumas cervejas. Logo colocaram um Funk pra tocar. Me diverti vendo Marvel dançando e se jogando em cima de mim. Tentei socializar com uma das garotas, era interessante, tinha um papo legal, mas logo sua namorada a levou para o banheiro para ficarem mais a vontade. Começava a relampear, eu precisava ir embora, mas algo me mantinha ali, queria muito sair correndo do lugar, mas uma parte de mim dizia pra eu ficar pra ver o que iria mais acontecer.  O anfitrião logo foi a rua buscar alguns outros amigos que estavam pra chegar, fiquei sentado no sofá, deslocado, sozinho. O sofá era bem antigo, as coisas ali pareciam ter parado no tempo. Na sala eu dividia o espaço apenas com ele, um móvel que deveria ter alguma TV em cima, mas não tinha e um espelho velho na parede, que me dava mais medo ainda. Pedi pra meu “amigo” me levar até o ponto de ônibus onde eu pudesse voltar pra cidade de Niterói, onde finalmente pegaria um ônibus de volta para a casa. Chegando a Niterói fui pegar ônibus em frente a um shopping. Mesmo lugar que a meses atrás tive uma experiência que me marcou muito. Fiquei um bom tempo esperando, olhando o carrinho de pipoca que me trazia velhas lembranças. Eu, o carrinho... Só. Faltava uma pessoa. Ele não estava lá. O ônibus enfim chegou, paguei a cara passagem, sentei no ultimo banco alto, e ali me encolhi devido o frio do ar condicionado. E segui viagem para casa pensando em milhões de coisas e olhando com medo a imensa baia de Guanabara bem abaixo de mim.