Tem tantas particularidades sobre mim. Cada dia me sinto mais humano, mais eu mesmo, mais independente de toda hipocrisia e incoerência. Cada mínimo detalhe que me torna único. Meus sonhos envolvendo super poderes, zumbis, guerras apocalípticas e super-stars-fashions-idosas que dominam o mundo. O fato de eu ficar com olfato super aguçado a ponto de sentir cheiro de cloro na água quando fico resfriado. Meu jeito bobo de andar olhando as nuvens. Tenho orgulho de mim, de dizer que choro mesmo ao assistir meus filmes favoritos. De cantar bem alto minhas musicas preferidas, mesmo estando na rua mais movimentada do centro do Rio de Janeiro. O fato de eu aparentar menos idade que tenho, e de saber que a velhice é algo que não pode evitar. o fato de encarar a vida com a sensatez que ela merece. Me sinto tão sortudo de ter conhecido algumas pessoas em especial. De ter morado no interior, numa casa onde tinha fogão a lenha e dormíamos as sete da noite por não ter energia elétrica. Como eu tinha medo das frestas no chão daquela casa, das historias de lobisomens que meu tio-avô contava, dos truques que ele tinha para afastar o monstro. Como por exemplo: a enxada que ele colocava atrás da porta para a fera não entrar. Quanta sabedoria, de fato nenhum lobisomem nunca entrou lá. Saudades da casa simples que morei logo depois dessa, do pequeno beco onde eu passava maior parte do dia, dos dias de domingo a tarde em que sentava na calçada e ouvia historias macabras de uma velha viúva que morava perto da minha casa. Das minhas primeiras paixões, a garota loira mais popular do colégio. O lindo garoto cantor da igreja. Eu desenhava nossos rostos e corações nas paginas da revista da escola dominical, e torcia pra ninguém ver. Saudades dos campeonatos de futebol do bairro. Das horas que passava brincando no quintal do meu melhor amigo, era pequeno, mas lá tinha florestas, templos druidas, outros mundos. O meu mundo. Saudades de sair com amigos pra caçar rã no riacho, e cozinhá-las depois numa fogueira e uma lata de neston. Saudades dos piques na rua mais legal que já conheci. Do pique esconde na casa abandonada. Das subidas até o topo da colina para apreciar a vista do meu bairro, Dos campeonatos de formula 1 com carrinhos de bala. Dos campeonatos de futebol de botão. Dos domingos que ia assitir o jogo de futebol de graça no estádio da cidade. Das coleções de figurinhas e saudades até de levar escondido alguns doces sem o consentimento do dono da mercearia . Das amizades mais puras, do quarteto que ficava todos os sábados comendo as delicias que uma senhora cozinheira de mão cheia fazia. Dos banhos de mangueiras forçados. Tudo isso contribuiu para o que eu sou hoje. Que sorte eu tive na infância. Saudades as vezes é um sentimento tão bom.
domingo, 26 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
Carta a um príncipe (excesso de hormônios femininos)
Eu estava num deserto quando te conheci, mas não havia areias e o sol já não me machucava mais. Só você parecia entender e admirar meu interesse por desenhos e assuntos infantis. Você chegou aos poucos, e conseguiu me cativar. Ainda não te conheci pessoalmente, mas o essencial é invisível aos olhos não é? É triste quando achamos que somos especiais para alguém, mas no fundo não passamos de apenas uma rosa como centenas de outras. Talvez eu deva dar ouvido aos adultos. Se sinto ciúmes é porque gosto de ti não é?
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Ícaro e Narciso
É quase impossivel acostumar com o comum depois de ter ido ao céu, é preciso ter um espirito de conformismo en
É quase impossível acostumar com o comum depois de ter ido ao céu, é preciso ter um espírito de conformismo enorme. Como vou me acostumar novamente com os manjares dos mortais, se provei do néctar dos deuses? É uma brincadeira de mal gosto o que fizeram comigo. Zombam porque sou mortal, se querem me ensinar algo, o fizeram do jeito mais doloroso. O gosto amargo da decepção ainda está na minha boca. O gosto doce do beijo da noite passada está apenas na minha memória, é como se eu pudesse sentir ainda. Não tão intenso, mas igualmente mágico. O toque na pele, o arrepio seguido dos sorrisos, tudo está lá, intacto como numa exposição no museu da minha memória, fecho meus olhos e percorro os corredores. Nunca imaginei tanta vida vida em tão pouco tempo. O tempo está sujeito a intensidade, se comprime quanto maior a intensidade É como se comprimisse dias em algumas horas. Como explicar isso? mágica. Os lábios na pele, a adrenalina, a sensação de elevação do corpo. Mas tudo tem um fim, mas todo fim é um novo começo. O que importa no fim das contas é se valeu a pena. E minha sensação de elevação ao lembrar de cada beijo de ontem e a sensação de que a vida jamais será a mesma depois disso é a prova cabal de que valeu a pena.
É quase impossível acostumar com o comum depois de ter ido ao céu, é preciso ter um espírito de conformismo enorme. Como vou me acostumar novamente com os manjares dos mortais, se provei do néctar dos deuses? É uma brincadeira de mal gosto o que fizeram comigo. Zombam porque sou mortal, se querem me ensinar algo, o fizeram do jeito mais doloroso. O gosto amargo da decepção ainda está na minha boca. O gosto doce do beijo da noite passada está apenas na minha memória, é como se eu pudesse sentir ainda. Não tão intenso, mas igualmente mágico. O toque na pele, o arrepio seguido dos sorrisos, tudo está lá, intacto como numa exposição no museu da minha memória, fecho meus olhos e percorro os corredores. Nunca imaginei tanta vida vida em tão pouco tempo. O tempo está sujeito a intensidade, se comprime quanto maior a intensidade É como se comprimisse dias em algumas horas. Como explicar isso? mágica. Os lábios na pele, a adrenalina, a sensação de elevação do corpo. Mas tudo tem um fim, mas todo fim é um novo começo. O que importa no fim das contas é se valeu a pena. E minha sensação de elevação ao lembrar de cada beijo de ontem e a sensação de que a vida jamais será a mesma depois disso é a prova cabal de que valeu a pena.
Epílogo
Hoje a noite é o começo não só de mais um dia.
É o começo de uma nova era.
Selo aqui um pacto comigo mesmo.
Prometo me respeitar
Prometo me amar
Prometo não mais me entregar.
Eu sou melhor que tudo isso.
Levante a cabeça pequeno garoto e enxugue essas lágrimas.
Você já é completo.
Hoje é o tempo de por em prática a justiça.
Usar a força se precisar, evitando ao máximo machucar alguém.
Mas de maneira nenhuma deixar me machucar.
Agora é a hora de por tudo na balança. De ser sensato.
Agradecer pelo que tem ser agradecido.
Hey! você, obrigado por tudo. Você me mudou.
Guardo um carinho por tudo isso. Mas sou melhor que você.
“Que me aqueça nesse inverno e que tudo mais vá pro inferno”
Já dizia aquela velha canção.
Que meu coração seja como uma bomba relógio
Pronto para explodir na sua mão.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
prólogo
Qual o sabor da glória conquistada derramando sangue de um amigo?
A lealdade deve ser um preço muito alto a se pagar. E acho que o tempo já não constrói mais nada.
Havia tantas estrelas no céu. Porque você escolheu essa?
Sabendo que é a que mais me machuca.
sábado, 23 de abril de 2011
23/04/2011 - Caetano
Que dias agitados, sou apenas um para dar conta de tudo
O mundo gira, minha cabeça gira.
Ninguém entende o “meu importante”
Que noite agitada. A música tocando, a confraternização com meus amigos e um só desejo.
Mas ninguém ali parecia me encantar.
Sei que nunca mais vou me contentar com o “segundo melhor”.
A meses estou preso a alguém. A meses uso a mesma pessoa como referencial.
Por um instante naquela noite vi alguém capaz de me tirar de onde estou acorrentado.
Não havia tanta beleza, mas me encantou profundamente desde o primeiro momento que o vi.
Cabelos castanhos desgrenhado, branco, magro, um alargador, aparelho nos dentes e um horrível piercing no nariz. Como acho feio essas coisas, porém, como ficou lindo nele.
Me senti dando um passo para fora do meu cativeiro, mas o degrau estava fraco e corroído, e logo cedeu e me fez recuar. Junto com ele rachou também o meu coração. Fiquei parado apertando sua mão e olhando nos seus olhos. Ele se despediu. Não quis deixar rastros, mas sou bom com essas coisas. A festa então perdeu toda a graça. Voltei para o nível do comum.
Tentei beijar outros. Porém eu não correspondia e saia no meio de beijo e deixava-os sem entender nada. Não fazia mais sentido. Como disse, o segundo melhor não me agradava mais.
Desci as escadas ao som agitado de um rock, deixei a festa. Caminhei sozinho até meu ponto.
Rua deserta, fim de madrugada e meus pés doíam. Eu caminhava como um zumbi, mas me sentia vivo. Muito vivo. Me sentia também injustiçado. Tive inveja. Fiquei feliz em saber que não era impossível exorcizar fantasmas que me assombram à meses. Talvez não tenha sido agora, mas fiquei com a sensação de que em breve isso acontecerá. Peguei o ônibus, quase apaguei ao sentar no banco. Na minha cabeça eu só tinha a imagem do garoto que tinha conhecido. E seu nome ecoava na minha cabeça sem parar: Caetano, Caetano...
You are the only excpetion...
quinta-feira, 21 de abril de 2011
E nada mais importa
Uma noite foi o bastante
Para eu desistir de tudo
Dos chocolates e da adrenalina
Uma noite foi o bastante, para perceber que o fundo do poço, é mais fundo do que imaginei
Uma noite é suficiente pra idealizações se desfazerem
Pra perceber que não somos tão especiais assim pra alguém
Volto então ao passado, e me lembro de uma única noite também
Em que eu fui especial pra alguém
Em que tudo foi perfeito.
Uma noite, em que o mundo teve inveja de mim
Teve inveja de nós
Medo de nunca mais sentir essa sensação de realização.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Fora da rotina
E lá estava eu, subindo uma ladeira enorme. Uma rua fina e comprida. Cheia de outras ruas transversais igualmente finas, cumpridas e íngremes. O céu estava um pouco nublado. Eu carregava uma sacola com latinhas de cervejas. Era mais um sábado. Quatro pessoas me acompanhavam. Dois garotos e duas garotas. A pessoa que eu tinha mais intimidade ali era um dos garotos, que acabara de conhecer a menos de meia hora. Estávamos em outro município. Andávamos, e eu observava a situação, e os diálogos. tentei parecer simpático, não consegui. Não sou tão sociável assim. A pergunta que vinha na minha cabeça a todo instante era: “O que estou fazendo aqui”? Chegamos à casa do outro garoto, era lá que iria acontecer uma festinha para amigos. A casa era velha, com um aspecto sombrio. Um quintal coberto com telha de amianto, que lembrava uma garagem, mas não havia nenhum carro. Apenas muitos pelos de cachorro no chão. A porta era de uma madeira escura, que me causou estranhamento e medo. A mãe do anfitrião estava cortando os pelos de um dos cachorros. Se eu não sabia o nome do dono da casa (chamavam-no apenas de Marvel) o do cachorro eu soube com sobrenome e tudo: Lucky Perdido, uma alusão aos garotos perdidos de Peter Pan.Havia um outro cão também, mas desse não me recordo o nome e o sobrenome, mas era algo digno de um galã de novela mexicana. A mãe excêntrica e simpática nos deixou a vontade e foi para a casa dos fundos, dizendo coisas incompreensíveis, deixando entender que algum espírito baixaria nela. A “festa” logo começou, regada de cigarro, muito cigarro, e algumas cervejas. Logo colocaram um Funk pra tocar. Me diverti vendo Marvel dançando e se jogando em cima de mim. Tentei socializar com uma das garotas, era interessante, tinha um papo legal, mas logo sua namorada a levou para o banheiro para ficarem mais a vontade. Começava a relampear, eu precisava ir embora, mas algo me mantinha ali, queria muito sair correndo do lugar, mas uma parte de mim dizia pra eu ficar pra ver o que iria mais acontecer. O anfitrião logo foi a rua buscar alguns outros amigos que estavam pra chegar, fiquei sentado no sofá, deslocado, sozinho. O sofá era bem antigo, as coisas ali pareciam ter parado no tempo. Na sala eu dividia o espaço apenas com ele, um móvel que deveria ter alguma TV em cima, mas não tinha e um espelho velho na parede, que me dava mais medo ainda. Pedi pra meu “amigo” me levar até o ponto de ônibus onde eu pudesse voltar pra cidade de Niterói, onde finalmente pegaria um ônibus de volta para a casa. Chegando a Niterói fui pegar ônibus em frente a um shopping. Mesmo lugar que a meses atrás tive uma experiência que me marcou muito. Fiquei um bom tempo esperando, olhando o carrinho de pipoca que me trazia velhas lembranças. Eu, o carrinho... Só. Faltava uma pessoa. Ele não estava lá. O ônibus enfim chegou, paguei a cara passagem, sentei no ultimo banco alto, e ali me encolhi devido o frio do ar condicionado. E segui viagem para casa pensando em milhões de coisas e olhando com medo a imensa baia de Guanabara bem abaixo de mim.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Caos
Sempre tive um senso de justiça muito acurado.
Virtudes de um libriano.
Mas não dessa justiça distorcida, justiça como equidade.
Justiça não tem a ver necessariamente com o cumprimento de leis, pois leis são desiguais.
Elas são feitas pela elite na tentativa de manutenção de poder e privilégios.
Propriedade privada não é uma verdade absoluta.
Pobreza não gera violência, desigualdade sim.
Não considero esses heróis clássicos verdadeiros bem feitores.
Robin Hood sim o era.
O homem aranha ao prender um mero assaltante apenas contribui para a perpetuação desse sistema desigual.
Antes o caos à desigualdade
O caos seria justo, e se for justo, logo é bom.
Todos humanos são iguais perante a lei.
Mas de fato há desigualdades.
Igualdade então seria uma utopia?
Se for, é a mais bela das utopias.
Despertar
Ele acordou cedo para o trabalho.
Não tinha fome, ou pelo menos não devia.
Ignorou.
Pegou um ônibus lotado, cheio de sono, era desconfortável.
Ele devia estar acostumado.
Se esforçou, não conseguiu, fingiu.
No decorrer do dia foi colocado sobre forte pressão.
Odiava aquilo, mas era o que ele devia fazer.
Afinal estudou anos para aquilo
Era o sonho da sua vida, era ali que devia se sentir realizado.
Não se sentiu.
A vida parecia sem sentindo, perdeu anos de sua vida se preparando para esse cargo
Isso prometia trazer toda felicidade que ele sempre quis
Reconhecimento.
Olhou no espelho não parecia feliz.
Era a primeira vez que olhava um espelho.
Para sua surpresa, ao contrário do que sempre lhe fizeram acreditar: não era um robô.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Me disseram
Andei muito tempo enganado.
Me disseram que todos teríamos uma cara metade.
Me disseram que Meninos gostavam de meninas.
Me disseram que preciso de alguém pra ser feliz.
Me disseram que preciso de um bom emprego pra me sentir realizado.
Me disseram que sexo era a melhor coisa do mundo.
Me disseram que preciso ser o bonzinho e respeitar as regras.
Me enganaram...
Não me disseram que pessoas perfeitas não existem.
Não me disseram que não posso mandar no coração.
Não me disseram que eu sou a melhor companhia que eu posso ter.
Não me disseram que realização é me sentir bem comigo mesmo e com o que acredito.
Não me disseram que carinho e companhia são a melhores coisas de um relacionamento.
Não me disseram que regras podiam ser quebradas.
Aprendi sozinho.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Oportunidade.
Você me teve em suas mãos, e como uma criança nova não soube me usar.
Querido você perdeu o melhor dos seus amantes.
Não espere mais me ver aos seus pés, te ligando as oito da manhã pra te dar bom dia.
Valor com valor se paga.
Olha escorri por entre seus dedos. Não adianta depois se lamentar.
Você teve sua chance, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
Mas não preciso te alertar, você já está bem grandinho.
Mas um dia você se toca. Que ninguém vai te tocar como eu.
E você vai chorar, e lembrar das vezes que chorei por você.
Você pode tentar colar o que restou de nós, mas sempre será um coração com remendos. As cicatrizes sempre vão estar lá.
Você desperdiçou o meu melhor.
Você desperdiçou o melhor que você podia ter.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Dilemas
Isso tudo é tão fútil tão sem sentindo. Minhas lágrimas não te incomodam, meu amor não te toca. É, você não sabe que choro por te amar.É tudo tão exagerado, tão dramático, é como se você fosse o único e eterno amor da minha vida. Não acredito nisso, mas como lutar com algo que se sente? Minha sensatez que deveras deixei esquecida em algum canto está me fazendo falta. Êta vida cheia de incertezas, as coisas seriam muito mais fáceis sem dúvidas. Não sei que direção tomar, não confio nas minhas escolhas. Me sinto num labirinto tentando encontrar a saída, e você está La na saída me esperando. Será que está mesmo? É essa dúvida que me faz querer sentar no meio do labirinto e me divertir por aqui mesmo na minha companhia, o mundo lá fora é tão grande, e sem você parece não ter graça. Ele costumava ter não é? Não importa se você vai estar lá fora ou não. Há outras pessoas lá fora, meu álbum de fotos me fazem lembrar disso, olha só as fotos, eu estou sorrindo na companhia de outros.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
22/11/2010
Sempre soube que meu dia chegaria. Só não imaginei que seria tão perfeito. Sempre me disseram que perfeição não existe, que não é bom idealizar, mas poxa, eles estavam errados. Me sinto o cara mais sortudo do mundo. Existem tantos caras legais no mundo, e eu estou com o melhor. O mar, a água batendo nas pedras, a árvore iluminada e você, tudo foi perfeito. Cada palavra sua ainda ecoa na minha cabeça, cada gesto continua vivo na minha mente. Cada detalhe, e eles fazem toda a diferença, Narciso sentira inveja da gente. Um coração desenhado na minha mão, escrito "eu te amo". Não é cedo pra tais palavras, afinal, sempre te amei.
domingo, 7 de novembro de 2010
Frustração
Tem noites que não conseguimos dormir facilmente. Estas noites pertencem a dias inquietantes, em que nossas cabeças parecem ficar em funcionamento máximo. Certos acontecimentos nos deixam confusos, perplexos. Sentimentos confundem-se e não ficamos em paz enquanto não conseguimos decifrar cada um. Talvez a sensação que mais perturbe meu sono seja a frustração. Ela é o típico caso de síndrome do bode expiatório. Em que eu tento por no outro a culpa que é única e exclusivamente minha. Se me frustro com alguém não é culpa da pessoa. Ela não esta errada em agir e pensar de determinado modo que condeno. Pessoas são diferentes, valores diferentes. Deve-se cobrar de cada um aquilo que cada um pode dar. Futilidades me incomodam. Falta de profundidade da pessoa ou ressentimento meu? Essa não é a questão. O que me importa é que me incomoda. Não podia prever que ele fosse tão fútil. Embora já apresentasse algumas evidencias. Maldita mania de julgar um livro pela capa. Criar rótulos com base em poucas informações. Ingenuidade a minha, nem tudo que reluz é ouro. A pele foi boa, isso conta.disso vou me lembrar com orgulho. Só disso também, de mais nada. De nada me acrescentou ter conhecido ele. Algumas pessoas são descartáveis, apenas uma casca. Não que a pessoa não tenha conteúdo, mas ele não tinha o conteúdo que acho relevante. E aqui estou eu em crise por ficar me apegando ao “se”. E se ele fosse menos fútil, menos imaturo? Maldita mania de me apegar a uma fantasia. A pessoa é aquilo, cabe a mim aceitar ou não. o máximo que posso fazer é me retirar da vida dela de fininho. Coisas momentâneas não me agradam, preciso criar laços. Conhecer a fundo a alguém, mas cismo em procurar profundidade em lagos congelados. Sei que ali tem algo, mas ainda não está na época.
domingo, 24 de outubro de 2010
Inadequado
O garoto vivia trancado no sótão. Só conseguia ver seu quintal e os arredores da rua onde morava. Sempre soube que havia algo errado consigo. Via os outros garotos brincarem na rua. Não tinha contato com eles. Não tinha contato com o mundo. Suas roupas eram diferentes, apenas diferentes. O tempo não corria igual para ele. Via os garotos brincarem, paquerarem, namorarem, e logo os garotos sumiam da rua. O tempo não corria para ele, o relógio pendurado na parede marcava sempre a mesma hora. Ele sabia que era diferente, um dia saiu de casa, conheceu pessoas e percebeu como era inadequado. Suas palavras magoavam as pessoas. Quis voltar para seu quarto, onde os móveis não se magoavam, mas não conseguiu. Vagou pelo mundo, porém nunca achou lugar em que pudesse mais ser ele mesmo.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
mudanças
O mundo muda constantemente. É inevitavel.
A vida é assim, como um interior de um grande relógio. Cada movimento gerado, aciona um outro movimento.
É uma lei natural, as coisas mudam e te afetam. Saber lidar com mudanças e fazer delas algo positivo é a grande jogada da vida
Mudamos de emprego, amigos vem e vão; amores igualmente, talves com maior frequencia. A única coisa que a maioria das pessoas guardam dos antigos relacionamentos são as magoas, fazendo assim do passado algo triste e sombrio, indigno de ser relembrado. Mudar não significa esquecer o passado e começar do zero. Significa fazer dele uma fonte de aprendizado com base nos momentos bons e nos ruins, pois todos eles nos somam. Precisamos ter consciencia que a vida nos pede
uma constante reinvenção de nós mesmos. Mudar habitos, costumes e crenças exige coragem, não se livra deles jogando pela janela, precisamos descer
degrau por degrau, é algo que exige tempo. A vida é feita de relações de troca de aprendizado, toda ação tem uma reação. Nunca é uma via de mão única.
Mudar não significa somente se adequar a uma nova realidade, significa também que essa realidade tem que se adequar a você. Sua vida muda quando você muda.
Podemos ser várias pessoas durante a vida, mas sempre que olhamos para dentro de nós nos enchergamos lá, ainda nos reconhecemos e nos legitimamos, isso é o porto seguro, a segurança que temos de que ainda não enlouquecemos, mesmo que todas as circunstancias digam o contrário. Isso não é ter falta de personalidade, é reconhecer que podemos ter várias.nunca somos constantemente a mesma pessoa. Nunca somos ora bons, ora maus. Somos ambos, somos complexos, somos o joio e o trigo, o médico e o monstro, Temos o belo e o feio dentro de nós, e isso não é uma questão de escolha. É uma questão de ponto de vista. O belo está nos olhos de quem vê. Pois nunca somos cem por cento algo, acreditar nisso é enganar a si mesmo. Ser sempre o bonzinho cansa, ser sempre o palhaço enjoa. Ser sempre a mesma pessoa mata, aos poucos, pois sufoca instintos e vontades que a vezes enxergamos como exteriores a nós, como um atentado a nossos princípios Reprimimos, sufocamos e matamos, chega uma hora na vida que percebemos que matamos um inocente, numa atitude suicida. Não adianta, a vida sempre nos cobra, mais cedo ou mais tarde. Pode-se ficar em dívida com o mundo todo, mas jamais fique consigo mesmo, pois não há maior cobrador do que o espelho. Não se chega a essas conclusões sozinho. tem que haver choro e ranger de dentes, precisamos de um tapa na cara de uma mão amiga. Mudar é preciso, se é bom, só o tempo dirá, porém é melhor do que ficar estacionado sobre paradigmas sufocantes. Mudar é saber que nunca chegamos ao fim, se o fim chegou é porque não há mais vida, pois enquanto há vida, há mudanças.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
conchas
Quem foi que disse que seria fácil? Acho que a geração passada não sofria tanto com problemas de relacionamentos, eles eram mais estáveis, mais concretos. prefiro essa palavra pra explicar esses amores modernos de internet. Eles são reais, mas não são concretos. A gente sente, a gente sofre. A gente se aborrece. Sorrimos e choramos, por alguem que nem conhecemos...fisicamente. Essa coisa de aparência é traiçoeira. já troquei amor por conchas vazias, e ostentei-as com um sorriso falso, querendo que as pessoas acreditassem no que viam. Já fui trocado por medo. por um pouco de hipocrisia em nome da aparência. Nos sabotamos o tempo todo, talvez tenhamos medo de sermos felizes, só pode. Afinal, tememos o desconhecido. e não sei como seria, ja to acostumado a lidar com a decepção. Já virou meu ponto de conforto.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Para Álef, meu pequeno príncipe.
O pequeno Príncipe - Antoine de Saint Exupéry
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...Olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com algum amigo que o fez tão importante. Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
- Bom dia, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...Olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com algum amigo que o fez tão importante. Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
sábado, 31 de julho de 2010
Brincando com a vida
“Alguém o enganou, dizendo que ele precisava estar se divertindo 24 horas por dia. Se sentiu um fracassado ao perceber que sua vida era apenas normal”.
Comparo a humanidade a uma criança brincando. Ela tem em mãos blocos com diversas formas, e em sua frente uma mesa com buracos no formato de cada bloco. A criança insiste em encaixar o quadrado no buraco do circulo e então ela se irrita por não conseguir. É exatamente assim que as pessoas agem. Tentam impor a realidade modelos idealizados. E continuam tentando adequá-los assim mesmo. Por isso vivem se decepcionando. Temos dificuldades em nos aceitar como somos. Preferimos acreditar em nosso gigante interior, enquanto dentro da maioria adormece apenas um “anãozinho”. Temos dificuldades em admitir que somos falhos, com defeitos. Disfarçamos solidão pegando o maior número de pessoas numa balada. Buscamos novos pares que tragam a sensação da euforia. Agimos como o viciado atrás de doses maiores da droga. A alienação transforma-se em intimidade, a desumanização, em humanidade e a extinção do sujeito, em sua confirmação. A socialização dos seres humanos, hoje em dia, perpetua sua associalidade, ao mesmo tempo que não permite ao desajustado social nem sequer orgulha-se de ser humano.
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